João Moreira     |       01 fev 2018

Lucas e o recomeço nos Spurs

A chance de renascer no futebol. Assim pode ser encarada a transferência de Lucas Moura do PSG para o Tottenham. Imagine um cara com 18 anos promovido ao profissional de um dos clubes mais importantes do continente. Um ano depois, ele joga ao lado de Neymar em um Sul-americano Sub-20 pela seleção e acaba roubando os holofotes do atual camisa 10 do PSG e da Seleção Brasileira. Em 2012, é o principal responsável pelo único título internacional do São Paulo na década. Vem um clube europeu e o contrata pela exorbitante cifra de R$ 108 milhões. Só da pra imaginar uma carreira ascendente daí em diante, certo? Errado. O que se viu do momento em que o atacante desembarcou em Paris até o seu último dia na cidade francesa foi o brilho de seu futebol sendo ofuscado pela sombra do banco de reservas e do ostracismo no elenco, além do esquecimento por parte da Seleção.

A PASSAGEM NO PSG

Até é verdade que o começo do até então craque não foi dos piores. A primeira temporada serviu de adaptação. Já na segunda o brasileiro mostrou que poderia ser útil: conquistou uma vaga na equipe e atuou em 53 partidas, tornando-se o jogador com mais atuações naquela temporada pelo time. A história de Lucas começou a mudar na temporada 2015/16 com a chegada do atacante argentino Di María. O trio de ataque foi formado pela trinca Cavani-Ibra-Di María, e Lucas acabou aos poucos se tornando um artigo de luxo no banco de reservas (atuou 56 vezes - 33 como titular). Na temporada seguinte houve a troca no comando da equipe: Blanc deu lugar ao espanhol Unai Emery. Até que na primeira temporada do novo treinador, que é considerado o carrasco pela saída de Lucas do clube, o brasileiro teve oportunidades. Jogou 41 partidas como titular. Entrou durante o jogo em outras 12. Tudo bem que a maioria dos confrontos era do campeonato francês, mas não importa. Tinha a confiança do técnico. Mas algo ocorreu na virada da temporada. Sem mais nem menos, Lucas foi descartado. Talvez a chegada de mais dois reforços para a sua posição (Neymar e Mbappé) tenha contribuído. Talvez. Mas a verdade é que Lucas não era mais relacionado para jogos e, quando era, apenas para partidas sem importância. Prova disso é que atuou apenas 6 vezes na temporada, nenhum jogo como titular e apenas 79 minutos em campo. Para Lucas, fica a importância de mostrar que o descaso dado pelo PSG foi um erro e que ainda tem muita lenha pra queimar.

NÚMEROS NO PSG

Apesar da saída, digamos não pela porta dos fundos - mas longe de ser pela porta principal - os números de Lucas no PSG são surpreendentes. É o brasileiro mais importante da história do clube, pelo menos no papel

- 229 jogos - brasileiro com mais jogos pela equipe;
- 46 gols - 13º maior artilheiro da equipe (2º brasileiro com mais gols, só perde para Raí);
- 45 passes para gol;
- 16 títulos - brasileiro com mais títulos pelo PSG.

FOFOCAS

Um dia após a concretização da venda de Lucas ao Tottenham, a imprensa francesa começou a noticiar o motivo que pode ter feito com que o PSG descartasse o brasileiro do elenco. Segundo os jornais franceses, o técnico Unai Emery considerava o jogador traiçoeiro e que o mesmo levava informações do que se passava no vestiário do clube para a imprensa. A gota d’água teria sido notícias vazadas envolvendo as polêmicas entre Cavani e Neymar, uma vez que o brasileiro é muito amigo de Lucas e inclusive declarou estar muito insatisfeito com a saída do companheiro.

Foto: Twitter oficial do Tottenham