João Moreira     |       28 mar 2018

Sem Messi e Di María, Argentina é humilhada pela Espanha

A seleção argentina foi atropelada pela Espanha na tarde desta terça-feira em Madrid. A goleada por 6 a 1 igualou as maiores derrotas dos hermanos na história (6-1 x Tchecoslováquia, em 1958 e 6-1 x Bolívia, em 2009). Sem poder contar com Messi e Di María, além de Aguero, a Argentina mostrou um futebol muito aquém do rival e deu sorte do vexame não ter sido ainda maior, pois oportunidades para isso não faltaram.

PRIMEIRO TEMPO

Mesmo sem contar com Messi, Di María e Aguero, Sampaoli mandou a campo uma equipe focada em fazer frente ao rival. Porém, a inferioridade logo se demonstrou. Apesar dos primeiros minutos terem sido equilibrados e de Higuaín desperdiçar uma chance claríssima aos 7 minutos, a história do jogo estava escrita. Aos 11 minutos, Diego Costa recebeu entre os zagueiros argentinos, dividiu com o goleiro Romero e abriu o placar pra Fúria. Meza, o mais lúcido da equipe argentina, quase deixou o duelo empatado num chute cara a cara com De Gea, mas a bola saiu ao lado direito do gol. A Espanha, que contava com Asensio e Isco infernizando pelos lados do campo, quase aumentou a vantagem depois de um cruzamento da direita que Jordi Alba desperdiçou. Na base do toque de bola, os espanhóis envolviam a Argentina e chegavam com muita facilidade ao ataque. Numa dessas trocas de passes, Asensio achou Isco livre na área para marcar o segundo. O gol desestabilizou os argentinos, que se perderam em campo. Apesar do gol de Otamendi um pouquinho antes do fim do primeiro tempo, a Espanha continuava sendo a senhora da partida e sabia que na volta do intervalo poderia fazer mais gols.

SEGUNDO TEMPO

Disposta a liquidar a fatura, a Espanha retornou ao campo de forma impiedosa e eficaz. Logo aos 6 minutos, Iago Aspas driblou o goleiro Caballero e rolou para Isco fazer o segundo dele e o terceiro do time da casa. Mal deu tempo da zaga argentina assimilar a pancada e o brasileiro naturalizado espanhol, Thiago Alcântara, pegou um rebote na entrada da área e fez a vitória instantaneamente virar goleada. Os dois gols em menos de dez minutos fizeram o emocional argentino ruir. Parecia um jogo de adultos contra crianças. Com muita facilidade, a Espanha costurava ataques e chegava como queria à cara do gol. Num lampejo de honradez, Otamendi acertou a trave de cabeça, mas o susto mal incomodou o rival, que seguia massacrando. Prova do desnorteio dos defensores argentinos foi o quinto gol. De Gea lançou a bola pra frente, a zaga hermana não acompanhou Iago Aspas, que só precisou deixar a bola quicar uma vez para bater pro gol aproveitando-se da saída desesperada de Caballero. Não demorou muito para um dos únicos que se salvavam em campo, Otamendi, deixar se contaminar pela péssima jornada dos companheiros. O zagueiro saiu jogando errado e Iago Aspas tocou para Isco marcar pela terceira vez e decretar o placar histórico: 6 a 1.

IMPRESSÕES

Sampaoli deve estar arrependido de ter optado por enfrentar a Espanha às vésperas da Copa do Mundo. O duelo evidenciou uma seleção que está pronta para o Mundial e uma outra que ainda busca uma forma de atuar, ainda mais quando não conta com seu principal jogador (Messi). A Argentina de hoje mostrou muitas deficiências defensivas, muitos erros na saída de bola e uma passividade que há muito não se via. A passividade não foi motivada por falta de empenho ou algo do tipo, mas por impotência e inferioridade técnica. O fato é que sem contar com Messi e com Di María, a Argentina se torna uma seleção comum. O camisa 10, quando atua, faz as falhas argentinas sucumbirem diante de sua genialidade. Só que com o desempenho visto hoje, não há Messi que faça milagres.

FICHA DO JOGO

Argentina: Romero (Caballero); Bustos (Mercado), Otamendi, Rojo, Tagliafico; Biglia, Mascherano (Pavón), Meza, Banega (Pablo Pérez), Lo Celso (Acuña); Higuaín (Lautaro Martínez).

Espanha: De Gea; Carvajal, Piqué (Azpilicuelta), Sérgio Ramos, Jordi Alba (Marcos Alonso); Iniesta (Saúl), Thiago Alcântara (Dani Parejo), Koke; Asensio, Isco (Lucas Vázquez), Diego Costa (Iago Aspas).

Gols: Diego Costa (ESP - 11’ 1T), Isco (ESP - 26’ 1T, 6’ 2T, 28’ 2T), Thiago Alcântara (ESP - 9’ 2T), Iagos Aspas (27’ 2T), Otamendi (ARG - 38’ 1T).

Foto: folha.uol.com.br