João Moreira     |       28 mar 2018

Brasil supera trauma do 7 a 1 e vence a Alemanha em Berlin

Obviamente o 7 a 1 na Copa do Mundo de 2014 não foi vingado, mas a vitória brasileira por 1 a 0 sobre a Alemanha em Berlin foi um triunfo importante não só pela questão esportiva, como também pelo fator emocional. Apesar do rival não ter atuado com força máxima, a equipe de Tite conseguiu se impor em diversos momentos da partida e ganhou com justiça.

PRIMEIRO TEMPO

Os primeiros minutos de jogo apresentaram um duelo focado na compactação, estudo do jogo e tentativa de manter a posse de bola por ambas equipes. Numa partida marcada pela boa composição das linhas defensivas e poucos espaços para criar, é necessário utilizar a habilidade para romper a marcação. E foi assim que Philippe Coutinho criou a primeira chance ao driblar os marcadores e invadir a área. O camisa 11 fez quase tudo certo, mas pecou na hora de tocar pra Fernandinho e entregou a bola à zaga alemã. A Alemanha respondeu com um cruzamento de Kroos para trás, mas o Gundogan acabou isolando a bola por cima do gol. Aos poucos os espaços iam sendo criados de ambos os lado. Paulinho recebeu em condição na área, mas chutou em cima da marcação. Do outro lado, os alemães tentavam incomodar pelos lados do campo e com cruzamentos. A velocidade do trio de ataque brasileiro estava criando problemas para os zagueiros rivais. Aos 35, Gabriel Jesus partiu pelo meio em velocidade, invadiu a área, deu um corte desconcertante em Boateng e teve tudo pra fazer o gol, mas acabou chutando por cima e perdeu uma ótima chance de abrir o placar. A sorte dele é que a oportunidade desperdiçada não fez falta, já que um minuto depois Willian fez ótimo cruzamento da direita e o camisa 9 testou com força. O goleiro Trapp ainda tentou defender, mas acabou espalmando pra dentro do gol. O gol deu tranquilidade ao Brasil, que administrou o resultado até o intervalo.

SEGUNDO TEMPO

No retorno à segunda etapa, o Brasil seguiu com a superioridade em campo. Nos primeiros 15 minutos foram três ocasiões de gol. Primeiro, Coutinho assustou com um chute potente de fora da área logo no começo. Pouco depois, o Brasil quase aumentou a vantagem. Willian aproveitou o corta-luz de Coutinho e bateu. A zaga salvou a finalização que tinha endereço. No rebote, Paulinho soltou a pancada e Trapp espalmou pra escanteio. Coutinho ainda tentou mais um remate de fora da área, mas a mira do camisa 11 estava descalibrada. A partir dos 25 minutos, a Alemanha se lançou ao ataque na tentativa do empate e o Brasil, naturalmente, recuou em busca de segurar o resultado. Os alemães chegavam na base do cruzamento, mas a zaga brasileira estava bem atenta e não sofreu grandes riscos. Com a pressão do rival, o Brasil teve campo para o contra-ataque. Tite colocou Douglas Costa no lugar de Coutinho para imprimir a velocidade no contragolpe. O jogador da Juventus até incomodou um pouco a zaga adversária, mas a postura defensiva da seleção brasileira nos últimos 10 minutos anulou qualquer ofensividade da equipe. O castigo por ter chamado a seleção alemã para o ataque quase veio nos acréscimos quando Draxler soltou uma bomba da entrada da área e o Alisson fez uma importante defesa, a única no jogo inteiro.

IMPRESSÕES

7 a 1 à parte e fator emocional deixado de lado, o Brasil atuou de forma sólida e consistente diante de um rival também favorito à conquista da Copa do Mundo. Sem contar com Neymar, Tite conseguiu fazer a seleção jogar sem sentir tanta falta do camisa 10. Coutinho e Willian desempenharam um bom papel pelos lados do campo, mas com a volta de Neymar só um deles deve seguir entre os titulares. Gabriel Jesus, artilheiro da era Tite, segue iluminado, mas precisa melhorar a finalização. No meio-campo, Renato Augusto parece ter perdido em definitivo a vaga de titular para o excelente Fernandinho. O Brasil está praticamente pronto e vai muito forte na busca pelo hexa.

FICHA DO JOGO

Brasil: Alisson; Daniel Alves, Miranda, Thiago Silva, Marcelo; Fernandinho, Paulinho, Casemiro; Philippe Coutinho (Douglas Costa), Willian, Gabriel Jesus.

Alemanha: Trapp; Kimmich, Boateng (Sule), Rudiger, Plattenhardt; Gundogan (Tim Werner), Kroos, Goretzka (Brandt), Sané (Stindl), Draxler; Mario Gómez (Sandro Wagner).

Gol: Gabriel Jesus (BRA - 26’ 1T)

Foto: esporte.ig.com.br