João Moreira     |       19 mar 2018

Messi demonstra obsessão pela Copa e revela detalhes da carreira

A obsessão em ser campeão do mundo. Planos para a aposentadoria. Mudança no estilo de jogo. Essas e outros vários assuntos foram abordados numa longa entrevista de Lionel Messi ao programa La Cornisa, comandado pelo jornalista Luis Majul, na emissora America TV. Bem à vontade e muito descontraído, como poucas vezes vimos Messi na frente das câmeras, o argentino falou por mais de 20 minutos sobre diversos temas relacionados à sua carreira. Os principais trechos estão resumidos a seguir:

COPA DO MUNDO E SELEÇÃO ARGENTINA

O craque é consciente da expectativa gerada em torno dele e sabe que a pressão por um título com a seleção é enorme. Uma nova campanha que não termine em título pode fazer com que Messi largue o selecionado.

“Em qualquer parte do mundo estão esperando que a Argentina seja campeã e que eu ganhe. Tento viver o dia a dia e não queimar etapas até junho. Se não formos campeões, não nos restará outra opção a não ser me retirar da seleção.”.

A perda da Copa do Mundo de 2014 (Alemanha) e das duas últimas Copa América (Chile) incomoda e muito o camisa 10. O craque sente que a geração do atual plantel da seleção sofre com a baixa autoestima após essas três frustrações.

“É um pouco o que sentimos com toda essa geração que vem jogando nos últimos tempos. É o que as pessoas nos fazem sentir. Parece que ter chegado a três finais não nos serviu de nada”.

Ele sabe que todos esses tropeços só serão esquecidos caso a Argentina conquiste o Tri mundial na Copa da Rússia.

“Por estar tão perto, por acreditar que merecíamos e não poder consagrar o sonho de todo um país, foram golpes duros. Poder estar nessa final, ganhar e levantar o troféu. É um sonho de sempre e cada vez que chega uma Copa se faz mais forte”.

APOSENTADORIA

No alto de seus 30 anos, Messi ainda não vê a aposentadoria do futebol como algo próximo, porém o argentino já pensa em como será a vida quando pendurar as chuteiras. A principal dúvida é se o retiro será desfrutado em Rosario, sua cidade natal, ou Barcelona, sua casa nos últimos 19 anos.

“Todos dizem que é muito difícil e não tenho dúvida que será assim. Eu gostaria de fazer tudo que não pude fazer por causa da profissão, ainda não sei se em Barcelona ou Rosario. No futuro penso em voltar a Rosario e aproveitar a minha cidade como não fiz quando era criança, porque me tocou vir para cá, coisa que não me arrependo, mas me preocupa o tempo da insegurança. Que te matem por um relógio, por uma bicicleta, por uma moto… Há assaltos em qualquer lugar do mundo, mas já não poder sair para caminhar porque eles podem te perseguir e roubar, e não só roubar, mas acontecer algo mais, é uma loucura”.

POSIÇÃO

Nos últimos anos, pode-se perceber uma alteração no posicionamento em campo e no estilo de jogo do cinco vezes melhor do mundo. O jovem com ímpeto extremamente ofensivo, que partia pra cima da zaga a todo instante e que decidia partidas sozinho ao enfileirar marcadores deu lugar a um jogador mais cerebral, coletivo e que não precisa mais fazer três gols por partida para definir uma vitória.

“Antes pegava a bola e fazia a minha jogada. Hoje tento fazer jogar o meu time, que a bola passe por mim e não ser tão definidor ou egoísta. Sou o primeiro que sei quando jogo bem ou mal. Não passa por gols. É estar bem dentro do campo, ter muita participação, tocar muitas bolas, decidir bem”.

ALIMENTAÇÃO

Um dos pontos mais curiosos da entrevista foi quando Messi revelou que fez uma mudança drástica na alimentação nos últimos anos. A forma mais saudável de se alimentar, inclusive, fez com que o problema de vômitos em campo acabasse.

“Não sei o que me gerava isso, mas sim, é verdade que tinha de tudo aqui dentro. Eu comi mal durante muitos anos. Com 22 anos, comia chocolate, refrigerante, alfajores… E agora como bem, como peixe, carne, salada, verduras, como de tudo, mas de forma organizada.”.

TRATAMENTO HORMONAL

É de conhecimento da maioria do público que Messi tinha problemas hormonais quando criança e que, apesar do seu evidente talento com a bola nos pés desde pequeno, nenhum clube argentino quis bancar o tratamento hormonal para o jovenzito rosarino. Quem aceitou custear o tratamento foi o Barcelona e o resto da história a gente já conhece. Lionel explicou como era o tratamento.

“Era uma vez por noite. Comecei com 11 anos. Minha mãe ou meu pai me aplicavam, até que eu aprendi e fui fazendo sozinho. Era uma agulha muito pequena, como uma lapiseira com uma agulhinha e onde se carregava a quantidade que eu tinha que injetar. Não doía e era algo muito rotineiro que tinha que fazer e fazia com normalidade”.

MENSAGEM AOS ARGENTINOS

Acusado muitas vezes de não ser identificado com os argentinos e, às vezes, até ser tratado mais como espanhol do que como argentino, Messi não perdeu a oportunidade de mandar um recado ao povo de seu país e mostrar que tem o mesmo desejo que seus compatriotas.

“Simplesmente dizer a eles que espero que seja uma grande Copa para nós. Que meu desejo é o mesmo desejo de todos vocês, que possamos viver algo similar a 2014, que foi uma experiência inesquecível e que o resultado seja parecido, mas desta vez levantando a taça”.

Foto: Twitter/TeamMessi