João Moreira     |       24 mar 2018

Placar elástico esconde falhas do México na vitória contra a Islândia

O México venceu a Islândia por 3 a 0 na noite desta sexta-feira, na Califórnia. O resultado elástico engana aqueles que pensam que a partida se desenvolveu com facilidade para os mexicanos. La Tri só saiu com a vitória graças ao talento do goleiro Corona e também à má sorte do ataque islandês na partida. O placar não mostra o que foi o jogo para uma seleção mexicana que tem muito o que melhorar.

PRIMEIRO TEMPO

Juan Carlos Osorio mandou o México a campo com três zagueiros e um meio-campo povoado, a fim de tomar o controle da partida para si. Nos primeiros 15 minutos de jogo, a seleção mexicana conseguiu comandar as ações do jogo e ditar o ritmo da partida como queria. Apesar do domínio aparente, quem assustou primeiro foi a Islândia numa cobrança de escanteio que exigiu toda a elasticidade de Corona. O lance assustou o time da “casa” e fez os vikings se animarem no duelo. Os islandeses começaram a frequentar assiduamente a área adversária e só não abriram o placar em mais oportunidades por causa da noite iluminada do arqueiro mexicano. O México tentou reagir com um chute de fora da área de Marco Fabián que parou nas mãos do goleiro Rúnarsson. Na segunda chance que teve, o camisa 10 não desperdiçou. Falta na entrada da área para o México. Rola a bola daqui, pisa nela dali e Marco Fabián acertou um chute cheio de efeito para inaugurar o placar. Com a vantagem no marcador, os mexicanos cozinharam o jogo até a descida para o intervalo.

SEGUNDO TEMPO

Na volta do intervalo, as duas equipes vieram com alterações para o gramado. Mas a substituição que deu mais certo foi a de Juan Carlos Osorio, que retornou com Lozano no lugar de Jesús Corona no apoio ofensivo. Depois de 15 minutos corridos de muito estudo entre os dois times e uma tentativa de manter a posse de bola para se aproximar com calma do campo adversário, Lozano resolveu apimentar o jogo com sua objetividade e habilidade peculiar. O jogador do PSV fez ótima jogada individual pelo meio e serviu na direita Layún. O camisa 7 invadiu a área e bateu cruzado pra fazer 2 a 0. Após mais um gol sofrido, a Islândia adotou o lema “perder de 2, perder de 10” e se mandou pra cima dos mexicanos. O que se viu até o fim foi uma pressão absurda do ataque islandês, que em pelo menos três oportunidades só não marcou porque Corona, o iluminado, salvou o México. Além do goleiro, a trave resguardou a meta mexicana em uma oportunidade. E como o futebol não é um jogo em que se prevalece o merecimento necessariamente, Layún fez mais um gol pra Tri e fechou o placar.

IMPRESSÕES

O amistoso contra a Islândia serviu como uma simulação do que o México irá encontrar quando enfrentar a Suécia na Copa do Mundo, uma vez que os suecos estão no caminho dos mexicanos no Grupo F. Os vikings atuam num sistema muito parecido com o sueco e foi por isso que Juan Carlos Osorio escolheu este adversário. Apesar da vitória, ainda mais com um placar dilatado, El Profe deve estar preocupado com a atuação mexicana. Em boa parte da partida, os islandeses tomaram conta do jogo, além de terem criado as melhores chances do duelo. Talvez o jogo tenha servido para Osorio perceber que Lozano pode agregar muito mais qualidade ao time estando dentro de campo do que sentado no banco de reservas.

FICHA DO JOGO

México: Corona; H. Moreno (Molina), N. Araújo, Salcedo; Guardado (Carlos Vela), Reyes, Jesús Corona (Lozano), Gallardo (Govea), Marco Fabián o (Pizarro), Miguel Layún; Raul Jiménez (Oribe Peralta).

Islândia: Rúnarsson; Saevarsson (Friõjónsson), Amason, Ingason, Skúlason; Bjarnason, Halfreõsson (Gíslason), Gunarsson (Eyjólfsson), Guõmundsson (Bjarnason); Sigurõarson (Finnbogason), Gudmundsson (Kjartansson).

Gols: Marco Fabián (MEX - 36’ 1T), Layún (18’ e 45’ 2T)

Foto: Twitter/Miseleccionmx