Colo-Colo perde pro Delfín e completa 2 anos sem vitórias na Libertadores
  João Moreira     |       06 abr 2018

Colo-Colo perde pro Delfín e completa 2 anos sem vitórias na Libertadores

Camisa pesada. Elenco estrelado. Campeão da Libertadores. Último colocado do grupo. Apenas um gol marcado na competição. 2 anos sem conquistar uma vitória na Libertadores. Pode não parecer coerente, mas todos as frases anteriores se referem ao mesmo time: Colo-Colo. O Cacique entrou em campo muito pressionado na noite desta quinta-feira. A vitória era tratada como obrigação diante de um adversário inferior como o Delfín e que debuta na Copa Libertadores da América. Só que não foi bem isso o que aconteceu em Santiago.

PRIMEIRO TEMPO

Formatado no sistema de 3 zagueiros, a equipe dirigida pelo argentino Pablo Guede encontrou pela frente um rival disposto a se defender com unhas e dentes. Sendo assim, o Colo-Colo encontrou espaços para avançar até pouco depois do meio-campo.

Apesar do campo dado pelo adversário, a equipe chilena apresentava muita lentidão e pouca movimentação na parte ofensiva. Pouco incomodava a zaga equatoriana.

Tanto que a primeira chance do time foi uma falta que Paredes levantou pra área e a zaga equatoriana cortou pra trás quase fazendo contra. Aliás, foi dos pés, ou melhor, da cabeça de Paredes que quase o Colo-Colo abriu o placar. Cruzamento da esquerda e o experiente atacante cabeceou sem sair do chão. A bola quicou antes de acertar a trave do gol equatoriano.

Aos poucos, os colocolinos iam se soltando e encontrando brechas no ferrolho do Delfín. O mago Valdívia assustou o goleiro Ortíz com um chute rasteiro que tirou tinta do poste. Vale ressaltar que este foi um dos raros momentos de criatividade e atitude do ex-palmeirense na partida.

O primeiro sinal de que o Delfín estava vivo no jogo veio aos 30 minutos quando o Perlaza pegou o rebote do escanteio e soltou uma bomba da esquina da área que emudeceu o estádio Monumental. A bomba do equatoriano saiu por cima do gol chileno. Já o chute do lateral Insaurralde teve mais direção, mas acabou explodindo no travessão da meta defendida pelo Delfín.

Apesar das duas bolas que acertadas na trave, a equipe chilena propôs muito pouco para um time que precisava vencer a qualquer custo.

SEGUNDO TEMPO

O Colo-Colo voltou para a segunda etapa com mudanças de peças e também no esquema. Saiu o 3-5-2 e entrou 0 4-4-2 a fim de dar mais mobilidade e criação ao meio-campo da equipe.

A intenção do treinador argentino do Cacique foi boa, mas ele não contava que o Delfín iria achar um gol logo no começo do segundo tempo. Aos 7 minutos, Godoy recebeu na área e dividiu com o goleiro Orión. A bola sobrou limpa pro Arismendi, que bateu rasteiro e começou transformar a simples noite da modesta equipe equatoriana em histórica.

O gol atordoou o já nervoso e pressionado time do Colo-Colo. Muitos passes errados, decisões precipitadas e falta de organização foram a tônica da equipe com a desvantagem moral e numérica no marcador. Se faltava técnica e organização, sobrava coração e vontade de ganhar.

Os chilenos foram pra cima de qualquer maneira e até criaram chances como o chute de primeira do Rivero após cruzamento da direita e uma finalização do mesmo camisa 9 que desviou na zaga e quase matou o goleiro Ortíz.

Suazo e Paredes também quase igualaram a partida para o Colo-Colo, mas apresentaram o mesmo problema de Rivero: a falta de pontaria. Tantas oportunidades desperdiçadas só poderiam ser punidas de uma maneira.

Isso mesmo. Com um gol do Delfín.

Enquanto o Cacique era todo ataque, a equipe de Manta, nos acréscimos, puxou um contra-ataque pela esquerda com Nazareno. O lateral levantou a bola pra área meio que de qualquer jeito e o zagueiro Carmona acabou cortando para o próprio gol.

IMPRESSÕES

2 a 0 Delfín em uma noite histórica. Histórica no bom sentido para os equatorianos que conseguiriam a primeira vitória do clube na história da Libertadores e justamente diante de uma equipe tradicional. E histórica no mau sentido para os chilenos, que foram derrotados em casa por um time que nunca havia participado da Libertadores e ainda por cima seguem com o jejum de 2 anos sem vitórias no torneio, já que o último triunfo veio e abril de 2016 contra o Melgar (PER).

Foto: Twitter/Colo-Colo