João Moreira     |       23 fev 2018

Como será a final única da Libertadores

A Conmebol anunciou nesta sexta-feira que a Copa Libertadores será decidida em final única a partir de 2019 e que o novo formato de decisão valerá pelo menos até 2022. A resolução foi elaborada na reunião da entidade realizada em Punta Del Este, no Uruguai, e foi aprovada com unanimidade pelas federações associadas à Conmebol.

Além da final em partida única, algumas outras diretrizes foram definidas em relação à decisão, como o aumento de ganho dos clubes finalistas em US$ 2 milhões em relação a 2018, a realização da final num sábado e em horário nobre, 25% da renda de bilheteria da grande decisão para cada finalista, os custos da organização da grande decisão não ficarão sob responsabilidade dos clubes e a cidade/estádio da final será definida previamente por um consórcio de empresas. A alegação da entidade para a mudança do formato da decisão é que dessa forma o futebol sul-americano terá uma maior visibilidade e que os clubes terão mais benefícios financeiros.

TORCEDORES NÃO GOSTARAM

A decisão não repercutiu bem entre os torcedores sulamericanos. Nas redes sociais, a final única da Copa Libertadores logo virou um dos assuntos mais comentados do dia, sendo que a maioria dos comentários se dirigia contra o novo formato de final.

PRÓS

Os benefícios da decisão em final única atingirão apenas clubes, patrocinadores e organizadores do torneio, uma vez que os lucros dos clubes finalistas aumentarão, assim como das partes envolvidas na organização da grande final.

CONTRAS

O modelo adotado, que tem a final da Liga dos Campeões como parâmetro, vai contra a essência da Copa Libertadores. A competição sempre foi baseada na paixão das torcidas sul-americanas, nos embates de ida e volta e na oportunidade de cada pedaço do continente ter acesso às decisões, desde que os times locais chegassem à final. O novo formato fecha os olhos para a geografia, cultura, paixão e realidade financeira sul-americana. Haverá problema de logística, torcida e atratividade em relação à grande decisão. A medida afasta da grande final da competição os torcedores das camadas mais populares e beneficia não só torcedores com maior poder aquisitivo como também convidados, patrocinadores e outras partes sem ligação afetiva com os clubes e o torneio.

Foto: conmebol.com