João Moreira     |       04 abr 2018

Garcilaso e Nacional ficam no empate em grupo do Santos

O Nacional foi até o Peru enfrentar três adversários: o Real Garcilaso, os 3.400m de altura de Cusco e a pressão de ter feito apenas um ponto nos dois jogos até então. Já o Garcilaso, o azarão e único sem título da Libertadores no grupo, tinha o trunfo do ar rarefeito e a comodidade de ter conquistado uma vitória naquele mesmo estádio contra o Santos.

PRIMEIRO TEMPO

Diferentemente do que ocorre quando uma equipe recebe jogos na altitude, os donos da casa dessa vez não partiram pra cima do rival nos primeiros minutos de jogo. Pelo contrário, foi o Nacional quem colocou os cojones em cima da mesa e tentou pressionar o rival. O 4-5-1 do Cacique Medina exibia uma defesa sólida e um meio-campo que encostava bem no único atacante do time, o Bergessio. A primeira chance do Bolso veio numa bola pelo alto que o centroavante argentino cabeceou fraco pras mãos do goleiro Morales. Os peruanos tentaram responder com um chute de primeira do lateral Arismendi, mas a bola saiu tão torta que deve ter envergonhado os deuses incas. O Nacional controlava as ações do jogo, mas as situações claras de gol teimavam em surgir graças às precipitações na hora da definição. Só o meia Oliva desperdiçou duas possibilidades de encontrar um companheiro melhor colocado ao chutar do meio da rua sem direção em ambas oportunidades. Quando trabalharam a bola, os uruguaios assustaram. Em jogada ensaiada de falta, De Pena recebeu na entrada da área e chutou pra defesa do Morales. Depois, Peruzzi enfileirou meio time do Garcilaso, dividiu com a zaga e a bola sobrou livre, livre pro De Pena marcar, mas o camisa 20 chutou na saída do goleiro, que ainda desviou o remate, e a bola estourou na trave. Parecia que só um detalhe separava o Tricolor do tão desejado gol.

SEGUNDO TEMPO

Talvez assustado pelo amplo domínio do Nacional na primeira etapa, o Garcilaso voltou do intervalo mais interessado em dividir o protagonismo da partida. Após ter sido mero espectador nos primeiros 45 minutos, o goleiro Conde teve que começar a se mexer. Santillán cruzou da esquerda e Vidales cabeceou pra sentir se o arqueiro uruguaio estava esperto. Ele estava, mas quem não tava era o juizão Wilmar Roldán, que não viu a cotovelada do Tragodara no rosto do atacante do Nacional, Barcia, em uma disputa de bola. Nem amarelo o peruano recebeu. Um jogador a mais ainda no comecinho do segundo tempo poderia mudar o panorama do jogo, mas como o “condicional” não joga, a partida seguiu em pé de igualdade. O Garcilaso se aproveitava do visível desgaste físico do adversário causado pela latitude e se aproximava da meta uruguaia, principalmente com a articulação de Ramúa e com os cruzamentos de Santillán. Apesar da ronda constante ao gol adversário, o time peruano sofria com a deficiência do seu ineficaz poderio ofensivo. Em contra-partida, mesmo sem chegar com a mesma frequência do primeiro tempo ao ataque, o Nacional seguia com as melhores chances. Barcia bateu forte no canto e exigiu que o Morales defendesse em dois tempos. No finalzinho, quase que o futebol fez aquilo que ele quase nunca faz: justiça. Sebastian “Papelito” Fernández, que havia entrado nos acréscimos, recebeu livre na área, mas chutou por cima do gol e jogou fora aquele que poderia ser o gol triunfal do Nacional.

IMPRESSÕES

Um empate na altitude nunca pode ser considerado um resultado ruim. Para o Nacional, no caso, não foi. Mas a sensação que fica é que a vitória esteve bem perto de embarcar no último voo da noite para Montevidéu. O time uruguaio segue na briga por uma vaga na próxima fase e enxerga o Santos como o rival direto nessa disputa. O Bolso mostrou que pode incomodar ainda, apesar de não ter conquistado nenhuma vitória neste primeiro turno da fase de grupos. Já o Real Garcilaso chegou a 4 pontos no grupo, mas não deve ir muito além disso, já que jogará o returno desta fase duas vezes fora de casa e vai receber o favorito Estudiantes em Cusco.

Foto: Twitter/Conmebol