João Moreira     |       18 abr 2018

Grêmio volta de Assunção com um ponto na bagagem

A terça-feira reservou uma partida que podia ser encarada como uma mini-decisão, já que Cerro Porteño e Grêmio estão separados por apenas dois pontos na primeira e segunda colocação do grupo, respectivamente. Uma vitória paraguaia praticamente selaria a vaga da equipe de Assunção na próxima fase. Já para o Grêmio, a vitória significaria a ponta do grupo e ainda a tranquilidade de saber que joga mais duas partidas na Arena.

PRIMEIRO TEMPO

A partida começou daquele jeito que a gente gosta na Libertadores: pegada e “lá e cá”. Os primeiros 20 minutos no Nueva Olla foram intensos e com chances criadas pelas duas equipes, sendo que a mais efetiva saiu dos pés do “Cebolinha” Everton. O atacante recebeu passe de Cícero, invadiu a área e chutou cruzado. O lance exigiu uma boa defesa do goleiro Silva.

Aos poucos, o time paraguaio ia tentando frear o ímpeto gremista e assumir as rédeas do jogo. As principais armas eram as jogadas pelo alto à procura do grandalhão Churín e os chutes de fora da área. Enquanto a dupla Geromel-Kannemann tratava de afastar as investidas dos cruzamentos, o goleiro Marcelo Grohe se valia do papel de parar os arremates de média distância.

O Grêmio poderia ter aberto o placar em cobrança de pênalti se o árbitro argentino Germán Delfino tivesse o assinalado quando o zagueiro Cáceres deu um carrinho em Everton dentro da área e nem acertou a bola. Aliás, o time paraguaio abusou das faltas (20) e o apitador parecia não se importar com isso, já que mostrou o cartão amarelo apenas uma vez.

SEGUNDO TEMPO

O Grêmio voltou melhor que o adversário para a segunda etapa e o domínio foi logo traduzido em chance nos primeiros minutos. Escanteio cobrado pra área, o goleiro Silva saiu com a mesma segurança que se tem nas ruas do Rio de Janeiro e a bola se ofereceu no ar para Geromel. O zagueiro/mito tentou uma bicicleta improvisada e a bola acabou explodindo na trave.

5 minutos depois foi a vez de Ramiro quase calar as mais de 40 mil vozes no reformado estádio obrero. O meia levantou pra área aquele tipo de bola que nasce como cruzamento mas que morre como finalização. O goleiro Silva estava atento e conseguiu se esticar para salvar o que seria o gol do Imortal. O Cerro resolveu mostrar que estava em campo e respondeu com uma chegada pela esquerda. Arzamendia cruzou, a bola atravessou a área e encontrou Jorge Rojas. O paraguaio teve a faca e o queijo na mão para marcar, mas acabou usando só o cutillo e furou a bola. Com o passar do tempo e o jogo entrando naquela zona perigosa em que uma desvantagem no placar pode ser difícil de se igualar, cerristas e gremistas se conformaram que o empate seria um bom placar. Levaram o jogo em banho-maria até o último sopro do árbitro argentino.

IMPRESSÕES

Apesar dos desfalques de Luan, Léo Moura e Maicon, o Grêmio de Renato Portaluppi soube se portar jogando fora de casa diante de um rival duro e de uma torcida fanática. No saldo geral, o empate não foi ruim para os gaúchos, já que podem assumir a ponta do grupo no confronto direto com a equipe paraguaia no começo de maio em Porto Alegre. Fica o alerta da equipe ainda não ter conseguido transformar a superioridade diante dos rivais fora de casa nesta Libertadores em vitória, vide também o empate na primeira rodada com o Defensor.

O Cerro Porteño por sua vez tem a noção de que o rival brasileiro leva vantagem tecnicamente e coletivamente. Por isso, jogou de forma intensa e consciente os 90 minutos da partida. O provável é que no Brasil jogue por uma bola contra o Grêmio na esperança de manter a ponta da tabela.

Foto: Twitter/Conmebol