João Moreira     |       04 abr 2018

Rivais de Cruzeiro e Vasco, La U e Racing empatam no Chile

Santiago recebeu na noite desta terça-feira o duelo entre Universidad de Chile e Racing. Ambos haviam vencido seus duelos na primeira rodada e o jogo serviria para um dos dois despontar na liderança do grupo. La U entrou em campo confiante apoiada na sequência de 7 jogos de invencibilidade (6 pelo chileno e 1 pela Liberta). Apesar de jogar fora de casa, o Racing depositava suas fichas no quarteto ofensivo formado por Neri Cardozo, Centurión, Lisandro López e o craque Lautaro Martínez para conquistar um bom resultado.

PRIMEIRO TEMPO

Empurrada pela massa de mais de 40 mil torcedores que lotaram o estádio Nacional, a Universidad de Chile começou o jogo tentando sufocar o rival argentino. Com o controle da posse de bola e a troca de passes, os chilenos empurravam o adversário para o campo de defesa. Apesar do começo em que se viu obrigado a recuar, o Racing quase abriu o placar com um chute de Lautaro Martínez, que obrigou o goleiro Jhonny Herrera a se esticar todo.

Praticamente um minuto depois deste susto, aos 9’, foi a vez da La U chegar bem. Só que os chilenos foram fatais na investida. Roubada de bola na saída de bola da zaga argentina e o venezuelano Soteldo recebeu na esquerda da grande área pra bater cruzado. O goleiro Musso conseguiu defender, mas no rebote David Pizarro completou com mais vontade do que técnica pro gol. 1 a 0.

A desvantagem despertou a vontade argentina em ganhar o jogo. A equipe de Coudet adiantou as linhas de marcação e começou a pressionar a saída de bola da atrapalhada zaga chilena, que parecia ter tomado um porre de Pisco Sour na noite anterior, tamanha era a displicência em campo. A atitude deu certo e as chances começaram a aparecer. Jara bobeou na saída pela esquerda e a bola acabou sobrando pro Martínez. O camisa 10 bateu colocado da entrada da área e a bola passou raspando na trave.

O lance parecia um prenúncio do que viria a seguir. Falta perigosa pro Racing e muito próxima da meia-lua. O zagueirão Donatti, ex-Flamengo, bateu com efeito à meia altura. Pra sorte dele e azar do goleiro Jhonny Herrera, ex-Corinthians, a barreira abriu e morreu no canto esquerdo do portero chileno. 1 a 1.

Nesta altura do jogo, só um time jogava: o Racing. Em mais uma saída de jogo tenebrosa dos zagueiros da La U, Lautaro Martínez driblou o goleiro e, sem ângulo, acertou a rede pelo lado de fora. Ainda deu tempo no primeiro tempo do time de Avellaneda desperdiçar mais uma chance clara de gol, mas dessa vez foi o Centurión relembrar os tempos de Morumbi e isolar a bola na grande área. Apesar da igualdade no placar, os 45 minutos iniciais deram a impressão de um jogo entre professores da bola (Racing) e estudantes (Universidad de Chile).

SEGUNDO TEMPO

O começo da segunda etapa parecia um espelho dos primeiros minutos de jogo. Os donos da casa tentavam se impor na base da raça, vontade e pouca eficiência. E assim como ocorreu no primeiro tempo, o Racing soube segurar esse ímpeto inicial dos locais e respondeu assustando. Em ótimo contra-ataque puxado por Centurión, o nanico Neri Cardozo recebeu livre na entrada da área para marcar. O camisa 19 só não esperava o gigantismo de Jhonny Herrera para sair do gol e abafar a chance.

La U tentava se organizar em campo, principalmente através dos pés do ótimo venezuelano Soteldo, mas esbarrava na maior qualidade do adversário. Ao contrário do rival, os argentinos não encontravam dificuldades pra atacar. Em jogada pela direita, Diego González rolou a bola para o meio da área. Apesar da alta densidade demográfica na área chilena, a bola foi percorrendo um corredor vazio até encontrar o pé de Neri Domínguez quase na outra esquina da grande área. O camisa 5 soltou a bomba e a bola explodiu no travessão causando um terremoto assustador e que silenciou o estádio Nacional.

A sorte do time chileno é que a pressão argentina foi aliviada pela expulsão de Daniel González aos 22 minutos. Com um a menos em campo, o Racing se recolheu e esperou os donos da casa darem espaços. Espaços esses que nunca vieram, uma vez que o time da La U parecia estar ciente de que a igualdade no placar àquela altura era inexplicável e por isso foi muito comedido ao ataque. E assim o segundo tempo percorreu imutavelmente pelos seus últimos 20 minutos.

IMPRESSÕES

O Racing não ter saído do Chile sem os três pontos foi uma das maiores injustiças recentes no futebol. A equipe argentina dominou o jogo, chegou com muita facilidade ao ataque, criou chances e, por obra do destino e do talento do goleiro Jhonny Herrrera, não conseguiu marcar mais gols. Menos mal para o pessoal de Avellaneda é que o ponto conquistado fora de casa parece corroborar uma campanha que deve seguir pelo menos até às oitavas de final. Já do outro lado, a situação também não é tão preocupante. Apesar de ter sido dominada em casa, La U sabe que o adversário desta noite era muito superior e que as deficiências exibidas não devem, ou melhor, não podem se repetir contra Cruzeiro e Vasco no Chile caso o time comandado pelo argentino Hoyos queira manter o sonho de roubar a vaga na próxima fase da equipe cruzeirense.

Foto: Twitter/Conmebol