João Moreira     |       22 fev 2018

Martín Silva pega três pênaltis e classifica o Vasco

Foi dramático. Foi sofrido. Foi angustiante. Mas foi! Depois de perder por 4 a 0 no tempo normal, o Vasco superou o Jorge Wilstermann e a altitude nos pênaltis, por 3 a 2 e se classificou para a fase de grupos da Libertadores. O time carioca está no grupo 5 ao lado de Cruzeiro, Racing e Universidad de Chile.

O JOGO

Primeiro tempo

Antes da bola rolar, os quase 3 mil metros de altitude de Sucre pareciam assustar mais do que o próprio time do Jorge Wilstermann, uma vez que no nível do mar, o Vasco goleou o rival por 4 a 0 no jogo de ida. Só que quando o árbitro Wilmar Roldán autorizou o início de jogo, o que se viu foi uma sede incrível dos bolivianos por vingança. Logo aos 5 minutos, Zenteno abriu o placar de cabeça. O torcedor vascaíno que saiu da frente da televisão por um instante para esfriar a cabeça provavelmente perdeu o segundo gol dos bolivianos. 24 segundos depois de o Vasco reiniciar a partida, Pedriel foi lançado na área e desviou também de cabeça. Vasco completamente desnorteado em campo. Quando os vascaínos começaram a buscar um recomeço na partida, deu pra perceber que o problema não era a altitude boliviana, mas sim a jogada aérea do Wilstermann. Cruzamento da esquerda e dessa vez foi o Chávez que meteu a cabeça na bola pra fazer 3 a 0. Mesmo com esse placar, o cruzmaltino ainda garantia a vaga. Só que dava pra perceber que era questão de tempo para a meta de Martín Silva ser vazada mais uma vez. Graças a algo que não é passível de explicação, o Vasco conseguiu esfriar o jogo e levou perigo apenas uma vez com um chute de fora da área de Henrique. Fim de primeiro tempo e promessa de emoção e desespero para o segundo tempo.

Segundo tempo

O Vasco voltou sem alterações para os últimos 45 minutos. Mesmo caso do Jorge Wilstermann, que parecia estar satisfeito com aquele placar de momento e que sabia que mais um gol levaria a decisão para os pênaltis. Pra variar, a ameaça boliviana vinha pelo alto, talvez inspirados pelo piloto de avião que dá nome ao clube. Primeiro, Lucas Gaúcho desperdiçou a chance no cruzamento de Serginho. Na sequência, Serginho fez mais um belo cruzamento. E dessa vez Zenteno não perdoou. 4 a 0. Decisão por pênaltis. A essa hora os vascaínos já se davam por contentes por ficar no quatro, mas ainda faltavam 20 minutos para o fim do suplício. Pra piorar a situação do time carioca, Thiago Galhardo caiu na catimba adversária e foi expulso. Com 10 em campo, o Vasco se arrastou bravamente até o o último sopro do árbitro.

Disputa de pênaltis

Um dos homens considerado como Libertador da América é o argentino San Martín. O general foi o principal responsável pela independência da Argentina e colaborou com a libertação de outros países, como Chile e Peru. Não sei dizer se o argentino deixou seus passos na região de Sucre ou venceu alguma batalha por lá, mas posso afirmar que seu homônimo fez história em solo boliviano. Jogador mais experiente do elenco vascaíno, o uruguaio Martín Silva tinha em suas mãos a esperança de milhões de vascaínos depositada naquela batalha cruel de matar ou morrer. André Ríos foi o escolhido para a primeira cobrança e colocou o Vasco na frente. Lucas Gaúcho bateu para os bolivianos e parou no Libertador vascaíno. Na sequência, Pikachu fez 2 a 0 para os vascaínos. Melgar não se intimidou com o herói que estava à sua frente e diminui para o Wilstermann. O argentino Desábato desperdiçou a cobrança para o time carioca, mas foi salvo na sequência pelo companheiro de Rio da Prata. O incansável Wellington tratou de fazer 3 a 1 para o Vasco, que logo virou 3 a 2 com o gol de Ortiz. Rildo foi para a cobrança que poderia definir a classificação vascaína. Desculpem-me, mas eu nunca vi um Libertador que se chamasse Rildo. E o próprio Rildo parecia saber disso. Correu pra bola e concedeu a chance a quem realmente merecia virar herói naquela noite. Veio a cobrança decisiva. O duelo de “Silvas”. De um lado Alex e do outro Martín. O zagueiro foi pra bola e continuou Alex. Já o outro virou San Martín.

Foto: vasco.com.br