Peñarol mostra força em casa e vence a primeira na Libertadores
  João Moreira     |       04 abr 2018

Peñarol mostra força em casa e vence a primeira na Libertadores

Depois de saírem derrotados de campo na abertura da fase de grupos, Peñarol e Atlético Tucumán entraram em campo com a obrigação de pontuar. Sem avançar à oitavas de final desde 2011 quando chegou à final da Libertadores, os carboneros entraram em campo apostando na mescla entre a experiência de jogadores veteranos como Maxi Rodríguez, Estoyanoff e Cebolla Rodríguez, com a juventude de promessas como Canobbio, Varela e Gabriel Fernández. Já o Gigante Del Norte depositou todas as fichas numa formação mais defensiva e confiando na articulação do eterno Luis “La Pulga” Rodríguez.

PRIMEIRO TEMPO

Como já era de se esperar, o jogo começou com o Peñarol partindo pra cima do adversário. As principais tratativas ofensivas se deram pelos lados do campo e com bolas alçadas pra área que deram trabalho ao atrapalhado zagueiro uruguaio Rafael García, ex-Nacional, uma cópia física do xerifão Schiavi e futebolística de qualquer zagueiro de várzea.

Apesar da pressão inicial sofrida, o time argentino foi quem quase abriu o placar em rápida escapada do ataque. La Pulga Rodríguez deixou Toledo na cara do gol, mas o atacante foi bem bloqueado pelo goleiro Dawson. O castigo veio logo na sequência. O jovem Canobbio recebeu na esquerda da área e partiu pra cima do zagueiro Rafael García. O camisa 2, que parece vestir uma calça jeans para jogar, deu o bote errado no atacante uruguaio e o árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio apontou a marca da cal. Cristian Cebolla Rodríguez foi pra cobrança e mostrou o porquê do apelido. Estufou a rede e fez a torcida rival chorar.

Daí pra frente, um jogo muito disputado e brigado, mas com pouca inspiração técnica. Prova disso são os números do primeiro tempo. 7 chutes a gol e 22 faltas cometidas. Praticamente uma a cada dois minutos corridos no relógio. Pra não dizer que a primeira etapa morreu de maneira insossa, Fabián Estoyanoff quase ampliou para os donos da casa em um chute cruzado e rasteiro que exigiu uma grande defesa do goleiro Batalla. Do outro lado, o Tucumán quase deixou tudo igual na terra da Celeste Olímpica com um gol que seria olímpico se não fosse pelo travessão da meta de Dawson. O grande feito do primeiro tempo ficou por conta da torcida do Peñarol, que antes da partida estendeu um bandeirão de 15km² nas arquibancadas do Campeón Del Siglo.

SEGUNDO TEMPO

Mal começou a segunda etapa e mais uma vez a bola parada resolveu as coisas pro Peñarol. Falta do meio da rua para a equipe uruguaia. O Estoyanoff foi pra bola mais ou menos naquele espírito: “vou soltar a bomba e no meio do caminho ela vai desviar em alguém”. Pois foi isso que aconteceu. O chute do camisa 13 encontrou as nádegas do Acosta, enganou o Batalla e morreu no fundo do gol. 2 a 0.

A ducha de água congelante fez os argentinos se lançarem a todo custo ao ataque. O problema é que o goleiro Kevin Dawson estava numa noite que faria o grande Mazurkiewicz se orgulhar. Na primeira tentativa de Nuñez, que driblou a marcação antes de fuzilar à queima-roupa, o camisa 12 conseguiu colocar pra escanteio. Na sequência, o portero fez grande defesa em bela infiltração de Pulga Rodríguez. Só que no rebote, o zagueiro Arias foi tão delicado como um elefante numa loja de cristais e acabou atropelando o Aliendro. Pênalti pro Tucumán. La Pulga Rodríguez se incumbiu da cobrança e guardou.

A reação colocou fogo num jogo que já demonstrava alto teor explosivo. O Tucumán se jogou ainda mais ao ataque, o que acabou desguarnecendo a frágil defesa. O Peñarol sabiamente se aproveitava desse descuido e chegava com perigo. Num contra-ataque fulminante, Cebolla Rodríguez serviu o descansado Palacios, que driblou o goleiro e tocou para Rojo, praticamente debaixo do gol, empurrar pra rede e colocar o 3 a 1 no placar. No fim, ainda deu tempo do Dawson salvar mais uma vez um gol certo do adversário.

IMPRESSÕES

O Peñarol mostrou que é forte em casa e que o equilíbrio entre experiência e juventude pode dar resultados. Cebolla Rodríguez teve uma noite inspirada e coordenou praticamente todas as ações ofensivas da equipe carbonera. Outro ponto positivo foi a atuação do goleiro Kevin Dawson, que parece ter suprido a necessidade de qualidade embaixo das traves que há muito tempo assola o Peñarol. Do lado argentino, o Tucumán mostrou que ainda precisa se ajustar ao estilo da competição e ser mais competitivo. Claro que o fato de essa ser a segunda participação consecutiva do time na Libertadores tem peso nisso, mas é preciso mudar a atitude caso queira avançar à próxima fase.

Foto: Twitter/Conmebol