Resumo da Libertadores: quarta-feira
  João Moreira     |       15 mar 2018

Resumo da Libertadores: quarta-feira

Bolívar (BOL) 1x1 Colo-Colo (CHI)

Tão rarefeito como o ar de La Paz é sair de lá com um resultado agradável. Apesar dos mais de 3.600 metros de altitude da cidade boliviana, o Colo-Colo conseguiu voltar para o Chile sem sofrer grandes estragos, ainda mais diante da partida que se desenhava. Com apenas 33 segundos de jogo, Callejón chutou e fez o travessão chileno tremer como se uma placa sísmica houvesse se mexido debaixo dos pés do goleiro Orión. O que se viu no primeiro tempo foi a típica pressão da equipe boliviana e seus 12 jogadores - sim, a altitude é o reforço - pra cima do rival. Apesar das ameaças, o perigo não foi tão grande. Ficou calamitoso quando o juizão Darío Herrera deu pênalti meio duvidoso pros donos da casa a menos de 10 minutos pro intervalo. Arce, aquele mesmo que passou pelo Corinthians, colocou o time comandado pelo brasileiro Vinícius Eutrópio em vantagem. Normalmente, uma equipe quando sofre um gol na altitude, tende a entrar ainda mais na letargia provocada pelo ar rarefeito. Mas no caso do Colo-Colo, o revés teve papel de balão de oxigênio. Os comandados de Pablo Guede tomaram as rédeas do jogo e buscaram o ataque. O efeito foi imediato. Cinco minutos depois de sofrer o gol, o Albo empatou em jogada de escanteio que Rivero aproveitou. O gol antes do intervalo resolveu a parada pros colocolinos. Na segunda etapa, o Bolívar diminuiu o ritmo inicial, o que deu chance para os chilenos equilibrarem o jogo. Apesar do segundo tempo ter proporcionado mais espaço devido ao cansaço dos times, os últimos 45 minutos foram dignos de resolver o problema de quem sofre de insônia. Pouco se criou, pouco se atacou, pouco se ofereceu e pouco se conquistou. O um ponto pra cada lado é decepcionante para o Bolívar, que não se valeu de seu grande craque, a altitude. E também é para o Colo-Colo devido às circunstâncias, já que havia perdido em casa na primeira rodada. O Bolívar ocupa a 2ª posição com 2 pontos, enquanto o Colo-Colo está na 3ª posição com 1 ponto.

Estudiantes (ARG) 3x0 Real Garcilaso (PER)

O Estudiantes se fez forte onde promete brigar pela classificação à próxima fase: no estádio Ciudad de La Plata. Depois de empatar na primeira rodada fora de casa com o Nacional (URU), os pincharratas sabiam que precisavam vencer em casa o adversário que promete ser a presa fácil quando jogar como visitante. O primeiro tempo do time comandado pelo técnico Lucas Bernardi não foi dos mais empolgantes. Tirando uma bola na trave de Lucas Rodríguez, o Estudiantes pouco ofereceu de perigo aos peruanos. Muitos chutes de fora da área e bolas levantadas de qualquer maneira em busca de uma cabeçada letal. Diante desse cenário e de um Garcilaso que se contentava em não perder, o primeiro tempo se arrastou sem muitas emoções ao intervalo. Na volta para a segunda etapa, logo no início, uma chuva de granizo e muitos raios fizeram com que a partida fosse interrompida pelo árbitro Alexis Herrera. A chuva parece ter lavado a alma dos platenses, assim como os raios que parecem ter eletrizado a equipe do Estudiantes. Logo no primeiro lance após a retomada da partida, escanteio pra área e Lucas Melano, no segundo pau, empurrou a bola pra rede e abriu o placar pros donos da casa. O gol tranquilizou o Estudiantes e resultou numa maior paciência na construção das jogadas. Com o placar a favor e o relógio nas mãos, o time do presida Verón apertou o ritmo quando quis. Algumas chances desperdiçadas até que um toque de mão de Santillán dentro da área foi convertido em pênalti. E o pênalti logo foi convertido em gol por Pavone. O 2 a 0 já parecia satisfatório, mas assim como a chuva que caiu do céu pegando a todos de surpresa um pouco antes, a bola surpreendeu Pavone dentro da área a dois minutos do fim. O experiente atacante não desperdiçou e colocou o Estudiantes ainda mais na liderança do grupo 6 com 4 pontos. Já o Garcilaso está em 2º com 3 pontos.

Atlético Nacional (COL) 4x0 Delfín (EQU)

Esse time do Atlético Nacional é pra prestar atenção nessa Libertadores. Depois de vencer o duro Colo-Colo no Chile, os verdolagas golearam o Delfín com muita autoridade em Medellín. O quinteto ofensivo formado por Macnelly Torres, Gonzalo Castellani, Dayro Moreno, Vladimir Hernández e Lenis massacrou a defesa equatoriana do começo ao fim. (Para se ter uma ideia, os colombianos chutaram 18 vezes contra o gol do adversário durante todo o jogo.) O gol não demorou a sair. Moreno, de pênalti, abriu o placar ainda no primeiro tempo. As coisas ficaram ainda mais fáceis quando Luis Luna foi expulso um pouco antes do intervalo e deixou o Delfín com 10. No segundo tempo, o time de Jorge Almirón, técnico do Lanús finalista na Libertadores de 2017, continuou destilando variações ofensivas e criando chances sem parar. Isso só poderia resultar em goleada. Logo nos primeiros dez minutos da segunda etapa, o Atlético resolveu a partida. Primeiro, Leni colocou o 2 a 0 no placar do Atanasio Girardot com um minuto da volta do intervalo. Seis voltas no ponteiro depois, Macnelly Torres, aqueeeeele ex-Vasco, cavou mais um pouquinho a cova do Delfín. E aos 11, de novo ele, Lenis sacramentou o massacre. Com o 4 a 0 e mais uma vitória garantida, o time de Medellín se deu ao luxo de desperdiçar mais um milhão de chances. O grupo 2 tem o Atl. Nacional como líder absoluto com 6 pontos, 5 gols marcados e nenhum sofrido. Enquanto isso, o Delfín ocupa a última posição com 1 ponto.

Emelec (EQU) 1x2 Flamengo

Foi duro. Foi suado. Foi com emoção. O Flamengo venceu o Emelec de virada em Guayaquil graças a um vigor anímico que há muito não se via nos jogadores do Flamengo e, claro, ao cara que mudou a partida: Vinícius Jr. O time rubro-negro entrou bem em campo. Não sofreu muita pressão do rival, como geralmente acontece no George Capwell, e ainda por cima conseguiu definir em boa parte do tempo o ritmo da partida. No primeiro tempo, o Flamengo foi prejudicado pela arbitragem que não marcou um toque de mão claríssimo do zagueiro Guagua dentro da área. Apesar de estar jogando fora de casa, os cariocas pareciam mais tranquilos que os equatorianos, que estavam pilhados fazendo jus ao apelido de Eléctricos. Apesar de criar mais chances que o rival, o Flamengo não conseguiu tirar o zero do placar. No segundo tempo, a partida ficou um pouco mais nervosa. E os nervos dos flamenguistas foram à flor da pele quando Angulo recebeu a bola na área e bateu para fazer 1 a 0 Emelec. O lance foi uma das pouquíssimas ameaças ao gol de Diego Alves. Imediatamente, Carpegiani sacou Éverton Ribeiro do time e colocou a jovem estrela Vinícius Jr. 10 minutos depois de pisar no gramado, o garoto mostrou o porquê de valer R$165 milhões. Numa jogada que combinou muita habilidade e um pouco de sorte, ele decretou o empate. O gol animou o Flamengo, que teve a chance de ampliar em duas chances “imperdíveis” com Henrique Dourado, mas o atacante desperdiçou. O Ceifador, diga-se de passagem, fez uma partida terrível. A sorte dos flamenguistas é que Vinícius Jr. estava em campo. Em mais uma jogada genial, ele tabelou com Diego e bateu colocado para virar a partida e conquistar os importantíssimos três pontos pro Flamengo. O triunfo alivia o empate em casa diante do River. O Flamengo agora é líder do grupo 4 com 4 pontos. E o Emelec ocupa a lanterna com 1 ponto.

Corinthians 2x0 Deporti Lara (VEN)

A Fiel torcida esperava uma vitória, é claro. E ela veio. Só que não esperava as dificuldades encontradas no primeiro tempo diante de um adversário tão inferior. O que se viu nos 45 minutos iniciais foi a equipe de Carille engessada diante de um sistema defensivo venezuelano que empregava todos seus jogadores atrás da linha da bola e que parecia se contentar em jogar por uma bola. O resultado disso foi um empate sem gols e a obrigação corintiana de conseguir a vitória no segundo tempo. Na segunda etapa, valeu a aposta do treinador alvinegro na escolha do substituto de Jadson, que machucado não foi pro jogo. O experiente Emerson Sheik foi o escolhido pro lugar do camisa dez. Campeão da Libertadores, rodado, experiente e, o mais importante, decisivo. Lógico que gol não tem hora certa pra sair. Mas no caso desse duelo, o Sheik subiu muito e testou pro fundo gol num momento crucial. Eram jogados 20 minutos da etapa final e se o gol não saísse por ali, o jogo poderia se encaminhar para uma zona muito perigosa. Para a sorte corintiana, Sheik abriu o caminho. O gol aliviou os jogadores, que jogaram mais soltos e com o resultado já em mãos. A corajosa zaga venezuelana logo sucumbiu à desvantagem. Poucos minutos depois de sofrer o primeiro gol, a defesa do Lara contribuiu para o segundo gol do Corinthians. Chute de Rodriguinho e o zagueiro Pernía desviou contra a própria meta. Vitória importante do Corinthians, que lidera o grupo 7 com 4 pontos, seguido pelo Lara com 3 pontos.