João Moreira     |       16 mar 2018

Resumo da Libertadores: quinta-feira

The Strongest 1x0 Peñarol - Grupo 3

Os 3.600 metros de altura de La Paz intimidam mais do que qualquer um dos times que mandam seus jogos no estádio local, o Hernando Siles. Precavido quanto a isso, o técnico carbonero Leonardo Ramos mandou a campo uma equipe montada num esquema mais defensivo e cauteloso do que o habitual. A intenção era levar qualquer pontuação de volta ao paisito. Mas entre o objetivo e a realidade existe uma enorme de diferença. O Peñarol aguentou por apenas 20 minutos a pressão do Tigre boliviano e o ar rarefeito de La Paz. Em cobrança de escanteio, Carcelén se antecipou à marcação e abriu o placar pro Strongest. O gol deveria fazer com que os uruguaios abandonassem a postura não-agressiva e partissem pro ataque. Mas o que se viu ainda foi um Peñarol recuado e que parecia poupar esforços para gastar todo o fôlego restante para os últimos 45 minutos de jogo. Na volta do intervalo, Leonardo Ramos mudou a formação da equipe e deu mais liberdade para o “motorzinho” Cebolla Rodríguez fazer o ataque engrenar. Apesar da atitude mais ousada, a equipe uruguaia só conseguia chegar por meio da bola parada e, ainda assim, desperdiçava suas raras chances de empatar. Enquanto isso, via-se um The Strongest tranquilo em campo, cozinhando o resultado e esperando seu adversário cansar. Foi justamente isso o que aconteceu. A equipe do bom técnico venezuelano Daniel Farias se impôs fisicamente sobre o adversário a partir da metade em diante da segunda etapa e vedou qualquer tentativa de reação uruguaia. Com a vitória, os bolivianos assumem o 2º lugar do grupo 3. Já o Peñarol ocupa a 3ª posição.

Independiente (ARG) 1x0 Millonarios (COL) - Grupo 7

Depois de perder para o Deportivo Lara na estreia, o Independiente sabia que precisava vencer como local para afastar qualquer desconfiança sobre a equipe e, claro, para não complicar uma provável classificação às oitavas de final. Ariel Holan iniciou o jogo com a equipe base do ano passado e deixou reforços como Gaibor e Menéndez no banco de reservas. A decisão pelo que se viu foi acertada, já que o Diablo fez um primeiro tempo impecável. Muitas triangulações, trocas de passes rápidas e deslocamentos constantes fizeram com que a equipe argentina tivesse total controle do primeiro tempo e mal deixasse o Millonarios participar do jogo. O domínio logo surtiu efeito. Na metade do primeiro tempo, o lateral Bustos, convocado por Sampaoli, achou Benítez na entrada da área e dali o meia-atacante finalizou colocado, deixando o goleiro Fariñez imóvel. A vantagem não diminuiu o ímpeto do time de Avellaneda. E talvez isso seja um problema na equipe de Holan. O sistema da equipe exige muita intensidade dos jogadores e logo o cansaço bate no segundo tempo. E foi quando os jogadores do Independiente já não estavam no melhor de suas condições físicas na segunda etapa que o Millonarios cresceu na partida. O conjunto colombiano emparelhou o duelo, ganhou território no meio-campo e passou a pressionar. Apesar do crescimento do rival, o Independiente conseguiu levar o jogo até o sopro final do árbitro sem muitos sustos. Os argentinos agora ocupam a 2ª posição no grupo 7, enquanto o Millonarios é o lanterna.

Santos 3x1 Nacional (URU) - Grupo 6

O Santos entrou em campo não digo com a corda no pescoço, mas talvez já a enxergando num futuro bem próximo caso a vitória não viesse diante do duro rival uruguaio. Em campo, além dos três títulos de Libertadores de cada equipe, a chance de tirar pontos de um rival direto na briga pela classificação. Depois de poupar diversos jogadores no Paulistão, Jair Ventura entrou com o que tinha de melhor na partida. O jogo com ares de decisão começou nervoso, como já era esperado. Pra se ter uma ideia, o árbitro Ulises Mereles distribuiu 6 cartões amarelos nos primeiros 20 minutos de jogo, um deles pro Gabigol por reclamação acintosa. E foi a partir de uma falta que rendeu cartão amarelo a um jogador do Nacional que o Peixe abriu o placar. Cruzamento pra área, Sasha desviou e o experiente goleiro Conde deu uma enorme contribuição. O gol animou os santistas, que pressionaram a saída de bola dos rivais e quase aumentaram a vantagem em duas oportunidades. No fim do primeiro tempo, o Nacional começou a ficar mais com o controle do jogo e chegou a incomodar a zaga santista, mas nada muito grave. Grave foi o que o atacante Gabriel fez com os seus companheiros e com a torcida santista que lotou o Pacaembu. A dois minutos do fim da primeira etapa, um lance que não havia necessidade nenhuma de uma chegada mais forte, Gabigol deixou o pé no zagueiro Polenta, recebeu o segundo amarelo e consequentemente foi expulso. De quebra, vai desfalcar o time no duríssimo duelo contra o Estudiantes, na Argentina. O jogador tem mais cartões (6) do que gols (4) nesse retorno ao clube. O jogo estava na mão, mas jogar com um a menos durante os últimos 45 minutos poderia ser bem cruel para o Santos. Poderia se o alvinegro não tivesse em campo um jovem que já começa a trilhar os primeiros passos de sucesso: o atacante Rodrygo. Logo na volta do intervalo, o garoto recebeu no meio-campo, partiu pela esquerda, passou por dois marcadores, invadiu a área e, com muita tranquilidade, tocou na saída do arqueiro uruguaio. Golaço! Rodrygo ainda se tornou o jogador mais jovem a marcar um gol pelo Santos em Libertadores: 17 anos, 2 meses e 6 dias. A boa vantagem deu tranquilidade aos jogadores santistas, mas como era de se esperar, o Bolso aproveitou a vantagem numérica em campo e se lançou ao ataque. Em duas oportunidades, os uruguaios quase diminuíram a vantagem brasileira. Apesar dos sustos, quem teve que se preocupar foi o time do Nacional. Em roubada de bola, Arthur Guedes, que havia entrado no lugar do iluminado Rodrygo, invadiu a área e sofreu pênalti. Ele mesmo foi pra cobrança e foi interceptado pelo goleiro Conde, que se redimiu do frango não só pela defesa da penalidade como também por salvar o terceiro gol do Santos no rebote. Na sequência, o Nacional foi com tudo pra cima. Primeiro, Bergessio cabeceou uma bola que Vanderlei tirou do gol com os olhos. Na segunda chance, não houve golpe de vista que salvasse. A zaga santista afastou mal um cruzamento e Oliva, na entrada da área, bateu pra descontar. Nem deu tempo dos uruguaios se animarem. Dois minutos depois do gol de Oliva, Alisson fez ótimo passe pra Eduardo Sasha tocar por baixo do goleiro rival e decretar o 3 a 1. Alívio e festa nas arquibancadas do Pacaembu. Santos, vice-líder do grupo 6 com 3 pontos. Já o Nacional é o lanterna com um pontinho só.