João Moreira     |       10 abr 2018

FIFA estuda acabar com empréstimo de jogadores

A entidade máxima do futebol mundial está preocupada com o direcionamento que o mercado de transferência de jogadores está tomando. O ponto mais crítico para a FIFA é no que tange o sistema de empréstimo de atletas. Na visão dos dirigentes que vão discutir possíveis mudanças no mercado de transferências em uma reunião em outubro, o modelo de empréstimo atual se desvirtuou e não oferece mais o objetivo principal - tanto para clubes como atletas - que é oferecer experiência de minutos e desenvolvimentos dos jovens jogadores.

Segundo os que desejam a mudança, a modalidade de empréstimo está sendo usada pelos clubes de forma meramente mercantilista. Para eles, os times usam os empréstimos para manter uma enorme quantidade de atletas sob contrato, que são adquiridos por uma quantia modesta, valorizados quando repassados a outras equipes e, posteriormente, revendidos para gerar riqueza. Diversos clubes são apontados como utilizadores desse mecanismo estritamente para enriquecimento e sem benefício esportivo. A ideia é que com a mudança ou o fim do empréstimo de jogadores, esse mau seja cortado diretamente na raiz.

PRÓS

- O fim do empréstimo de jogadores ou até a limitação da quantidade de jogadores emprestados faria com que os clubes filtrassem e selecionassem melhor as transações;
- A modificação do sistema atual permitiria um maior equilíbrio entre os clubes na parte financeira e também na atuação no mercado de transferências;
- Os clubes seriam forçados a aproveitar as categorias de base de forma mais efetiva, já que não teriam a possibilidade de distribuir uma “fornada” de jogadores recém-promovidos por todo o continente;
- O fim do empréstimo colocaria ponto final na especulação financeira que se tornou o comércio de jovens atletas;
- Redução do inchaço de jogadores sob contrato com uma equipe e que jogam em outro time. A Atalanta, por exemplo, possui 61 jogadores vinculados que atuam por empréstimo em outros clubes.

CONTRAS

- Clubes fora do eixo europeu seriam imensamente prejudicados, uma vez que são bem menos poderosos financeiramente e têm no empréstimo de jogadores uma das maneiras mais viáveis de se reforçarem;
- O fim da modalidade de empréstimo faria com que as transferências se tornassem mais arriscadas aos times que contratassem algum jovem reforço, já que não haveria a possibilidade de “testar” o atleta antes de comprá-lo;
- Jogadores jovens poderiam sofrer o ônus de ficarem encostados em seus clubes, já que não poderiam ser emprestados para outras equipes a fim de ganharem experiência e rodagem;
- Prejudicados, os clubes que mais se utilizam do método atual encontrariam uma forma de driblar uma possível restrição e continuariam tentando exercer uma predominância no mercado de transferências;
- Uma medida radical e drástica como essa poderia causar um efeito negativo na relação dos clubes.

Obviamente, o fim ou a alteração do sistema de empréstimos é uma solução bem radical e drástica, caso seja tomada. Assim como também é crível que algo que precisa ser feito para equilibrar o mercado de transferências e criar um ambiente saudável para a competição financeira e esportiva entre os clubes. A FIFA já percebeu esses dois lados da balança e por isso coloca em pauta a discussão.

Foto: fifa.com